O ano é 1885. A fumaça da guerra já não cobre mais os céus do Oeste, mas suas cicatrizes permanecem abertas em cada estrada de terra, em cada cidade parcialmente reconstruída e em cada homem ou mulher que tenta recomeçar a própria vida.
As terras que hoje englobam Saint Denis, Valentine, Rhodes, Blackwater, Armadillo, Tumbleweed e regiões vizinhas atravessam um período frágil de reconstrução, tensão e incerteza. O país permanece unido no papel, mas dividido na prática. O governo tenta se reafirmar, enquanto o povo aprende a sobreviver em meio às consequências do conflito.
Entretanto, nem todas as cidades compartilham do mesmo destino.
Armadillo vive seus piores dias. Uma doença desconhecida se espalhou silenciosamente entre seus moradores, atingindo praticamente toda a população residente. Os sintomas ainda não são compreendidos, mas os efeitos são visíveis: corpos enfraquecidos, pele marcada, olhares vazios e uma aparência que denuncia o sofrimento diário.
A cidade mantém suas portas aberta mas a esperança parece cada vez mais escassa. Comerciantes adoecem atrás de balcões vazios, famílias se isolam em casas fechadas e visitantes raramente permanecem por muito tempo.
Alguns dizem ser castigo. Outros, consequência da guerra. Há quem sussurre sobre contaminação da terra ou da água. Nenhuma resposta é oficial.
Em Washington, o recém-empossado presidente Elias W. Harrington assume um país cansado, endividado e desconfiado de promessas. Seu discurso fala em ordem, progresso e união, mas o Oeste continua sendo o maior desafio do governo federal.
Escritórios administrativos são reabertos, representantes federais são enviados para cidades estratégicas e novas leis começam a ser impostas. Impostos voltam a ser cobrados, registros são exigidos e a presença do Estado tenta se fazer notar onde antes reinava apenas a necessidade.
No papel, a ordem existe. Na prática, ela ainda precisa ser imposta — e aceita. Em regiões afastadas, a palavra de um homem respeitado pode valer mais do que qualquer decreto assinado em Washington. A autoridade do governo enfraquece a cada milha de distância da capital, tornando o Oeste um território onde a lei ainda precisa provar seu valor.
Em Washington, quatro senadores representam os territórios do Oeste no Capitólio. Cada um carrega consigo não apenas a voz de sua região, mas filosofias completamente divergentes sobre o futuro da fronteira americana.
Veterano condecorado da Guerra Civil que lutou pelo Norte, Marcus Caldwell, aos 58 anos, emergiu do conflito com profundas cicatrizes — perdeu o braço esquerdo em Gettysburg, mas ganhou respeito suficiente para construir uma carreira política meteórica. Originário de Boston, mudou-se para Valentine em 1870 para "civilizar a fronteira".
Caldwell acredita fervorosamente na supremacia federal e na necessidade de impor ordem ao "caos ocidental". Para ele, New Hanover representa o coração produtivo do Oeste — terras férteis, gado abundante e potencial agrícola que precisa ser organizado sob supervisão federal. Propôs a Lei de Registro Territorial, defendeu o aumento de impostos sobre comércio de gado e pressionou por maior presença militar em Valentine, ignorando petições de fazendeiros locais contra taxas abusivas.
Sulista de coração e convicção, Mercer, aos 52 anos, representa a velha guarda que nunca verdadeiramente aceitou a derrota. Proprietário de terras no Tennessee antes da guerra, perdeu quase tudo e se reinventou como advogado em Saint Denis. Sua eleição foi controversa, mas sua habilidade política é indiscutível.
Mercer advoga pela autonomia regional e desconfia profundamente da interferência federal. Para ele, Lemoyne nunca deveria ter sido forçado a se curvar ao Norte. Defende os "direitos dos estados", bloqueou investigações federais sobre trabalho forçado em plantações e secretamente financia milícias locais sob o pretexto de "segurança comunitária". Mantém Rhodes e Saint Denis com mínima interferência federal, permitindo que "velhas famílias" governem à sua maneira.
O mais velho e astuto dos quatro, Pierce, aos 64 anos, é um político de carreira que sobreviveu a três administrações presidenciais. Nascido em Filadélfia em família abastada, nunca pegou em armas durante a guerra, mas lucrou imensamente fornecendo suprimentos para o exército da União. Mudou-se para Blackwater em 1878, quando percebeu o potencial econômico da região.
Pierce não tem ideologia além do pragmatismo e do lucro. Vê West Elizabeth como a joia do Oeste — terra de expansão ferroviária e futuro centro econômico. Raramente fala em sessões públicas, preferindo negociar nos bastidores. Aprovou subsídios massivos para expansão ferroviária, direcionou contratos federais para empresas nas quais possui participação acionária e transformou Blackwater em "cidade modelo" com forte presença federal, facilitando a expropriação de terras de pequenos proprietários.
A única mulher no seleto grupo, Miriam, aos 45 anos, é uma anomalia política — viúva de um magnata industrial morto em circunstâncias suspeitas, herdou sua fortuna e conquistou o assento senatorial representando New Austin através de uma eleição especial em 1883. Educada na Europa, fluente em quatro idiomas, possui uma mente afiada para legislação e zero tolerância para condescendência.
Blackwood é pragmática, mas possui genuína preocupação com questões humanitárias — particularmente saúde pública e condições nas cidades fronteiriças. Não se alinha permanentemente a nenhum partido, votando conforme sua consciência. Representa o território mais negligenciado: New Austin. É a única senadora a propor investigação federal sobre a epidemia em Armadillo, apresentou legislação para fornecimento de água potável e suprimentos médicos, e publicamente confrontou Caldwell e Pierce sobre a negligência federal com sua região.
Os quatro senadores representam não apenas territórios, mas filosofias completamente divergentes sobre o futuro do Oeste.
Caldwell e Mercer ainda carregam a velha ferida da Guerra Civil. Pierce opera nos bastidores, comprando votos e garantindo que West Elizabeth receba a maior fatia dos investimentos federais — Blackwater prospera enquanto Armadillo morre, e isso não é coincidência. Blackwood representa o território que todos abandonaram, lutando sozinha por New Austin.
A Questão de Armadillo:
Caldwell: "Recursos limitados devem ir para regiões produtivas. Armadillo é perda aceitável."
Mercer: "Mais uma prova da incompetência federal. Deixem que os territórios cuidem de si mesmos."
Pierce: "Não investirei um centavo em território improdutivo. Blackwater precisa desses fundos."
Blackwood: "Armadillo é meu território e minha responsabilidade. Pessoas estão morrendo enquanto vocês debatem lucros."
As grandes decisões não acontecem no plenário do Senado. Acontecem em jantares privados na mansão de Pierce, conversas em salões de charutos onde Mercer negocia com velhos aliados sulistas, correspondências cifradas que Blackwood mantém com reformistas, e discursos inflamados de Caldwell que mobilizam opinião pública nortista.
O Senado de 1885 não governa o Oeste — negocia seu futuro como comerciantes regateando mercadorias. E enquanto eles debatem, cidades como Armadillo simplesmente... definham.
Com a retomada da autoridade federal, o cargo mais alto da aplicação da lei passa a ser ocupado pelo Attorney General Nathaniel R. Whitford, homem conhecido por sua postura rígida e visão inflexível sobre ordem e punição.
Whitford acredita que o Oeste só poderá ser domado através de presença constante, estrutura permanente e exemplos claros. Sob sua supervisão, forças federais, marshals e xerifes locais começam a operar de forma mais coordenada, ainda que enfrentem resistência, corrupção e falta de recursos.
Nas águas isoladas próximas a Saint Denis, o governo inicia a construção do Presídio de Sisika, projetado para receber criminosos considerados perigosos demais para permanecerem nas cadeias locais.
Sisika não é apenas uma prisão — é uma mensagem. Os presos enviados para lá dificilmente retornam ao convívio da sociedade, e o simples rumor de transferência já é suficiente para espalhar medo entre bandoleiros e foragidos.
O Fort Wallace, anteriormente abandonado e tomado por bandoleiros de toda a região, volta oficialmente ao controle do governo federal. Durante meses, o local serviu como abrigo para criminosos, contrabandistas e foragidos da lei.
Após uma operação silenciosa e brutal, forças federais retomaram o forte, expulsando ou prendendo aqueles que o ocupavam. Hoje, o Fort Wallace volta a funcionar como posto militar e estratégico, reforçando a presença do governo nas regiões mais instáveis do território.
Mesmo assim, muitos afirmam que nem todos os bandoleiros foram expulsos… e que os muros do forte ainda guardam segredos do período em que a lei não mandava ali.
“Assim Deus me ajude a preservar a lei e a ordem.”
Com a lei tentando se reafirmar, mas ainda fraca demais para alcançar cada canto do Oeste, o governo federal reconhece oficialmente a necessidade dos caçadores de recompensa. Sob supervisão direta do Attorney General Whitford, é criado o Bounty Registry Office, sediado em Saint Denis e comandado por Silas Brennan, ex-marshal que perdeu a perna esquerda perseguindo foragidos e agora administra quem os persegue.
Brennan não romantiza a profissão. Para ele, caçadores de recompensa são ferramentas — úteis, perigosas e descartáveis. Sob sua gestão, todo caçador que deseja operar legalmente deve registrar-se, portar identificação oficial e prestar contas de cada captura. Em troca, recebe acesso a mandados federais, informações de delegacias e proteção legal caso precise justificar suas ações.
O sistema ainda é novo, desorganizado e frequentemente ignorado. Muitos caçadores operam sem registro, preferindo liberdade à burocracia. Outros registram-se apenas para ter acesso aos mandados mais lucrativos, ignorando regras quando conveniente.
Brennan sabe disso. E tolera — até certo ponto.
No escritório em Saint Denis, Brennan mantém um registro meticuloso chamado simplesmente de The Ledger. Cada página documenta um foragido capturado ou morto, o caçador responsável, a recompensa paga e, quando possível, o destino final do criminoso.
Para caçadores registrados, o Ledger serve como currículo. Quanto mais páginas carregam seu nome, maior o respeito — e o acesso a contratos federais de alto valor. Para criminosos, é uma sentença: estar no Ledger significa que alguém, em algum lugar, já está seguindo seu rastro.
Cópias parciais do Ledger circulam entre delegacias, saloons e até entre os próprios bandoleiros. Saber que seu nome está lá muda tudo.
Entre Valentine e Rhodes existe uma velha estação de trem abandonada conhecida como Crossroads. Oficialmente, não pertence a ninguém. Oficiosamente, é território neutro respeitado por lei, caçadores e até criminosos.
Ali, caçadores trocam informações, negociam contratos, vendem pistas e ocasionalmente resolvem disputas sem derramar sangue. É onde rumores viram inteligência, onde nomes viram alvos, onde dinheiro muda de mãos antes mesmo de mandados serem emitidos.
Xerifes locais sabem da existência de Crossroads, mas fingem ignorância. Brennan, pragmático, reconhece a utilidade do lugar: melhor ter caçadores organizados e previsíveis do que lobos solitários operando no escuro.
"Sangue derramado aqui é sangue cobrado de todos." — Regra gravada na madeira da plataforma de Crossroads
Quem quebra a paz do lugar vira alvo de todo caçador presente — não por justiça, mas por conveniência. Ninguém quer perder o único lugar onde podem baixar a guarda.
Sob o sistema de Brennan, todo mandado especifica claramente: vivo ou morto. A diferença no pagamento é significativa — capturar vivo paga o dobro. Matar é mais fácil. Trazer vivo exige habilidade.
Mas há um terceiro tipo de mandado, raro e sempre discreto: "Vivo apenas. Sem exceções." Esses contratos pagam fortunas, mas vêm com condições rígidas e supervisão federal. Ninguém sabe ao certo por que certos criminosos precisam estar vivos — interrogatórios, informações, acordos políticos. Caçadores não perguntam. Apenas cobram.
Quando um mandado "vivo apenas" aparece, Crossroads fica tensa. Todos sabem que competição será feroz — e que quem falhar não terá segunda chance.
Brennan deixa claro: registrar-se não é obrigação. É escolha. Mas quem escolhe não registrar-se perde acesso aos melhores contratos, enfrenta desconfiança de xerifes e pode ser confundido com bandoleiro comum caso traga alguém sem documentação adequada.
Alguns caçadores aceitam essas condições. Outros, como os chamados Ghost Hunters, preferem operar completamente fora do sistema — sem nome, sem registro, sem rosto. Para eles, burocracia é fraqueza. Liberdade é sobrevivência.
Brennan não persegue os não-registrados. Mas também não os protege. Para ele, todo caçador eventualmente escolhe: viver dentro do sistema imperfeito, ou morrer fora dele.
"Lei sem braços é palavra no vento. Caçadores de recompensa são os braços quando o governo não alcança. Não preciso gostar deles. Preciso apenas que funcionem."
— Silas Brennan, Registry Office
Com o crescimento populacional, a retomada das rotas comerciais e a migração constante pelo Oeste, doenças começam a se espalhar com rapidez alarmante. Em resposta, o governo federal institui o Public Health Service, uma organização ainda frágil, formada por médicos, enfermeiros, parteiras e estudiosos determinados a compreender enfermidades que a ciência da época mal consegue explicar.
Febres persistentes, infecções, pragas, intoxicações e doenças vindas de pântanos, minas, rios contaminados e grandes centros urbanos desafiam diariamente o conhecimento médico disponível. Muitos tratamentos são experimentais, baseados em observação, tentativa e erro. Cada paciente atendido é também um estudo de caso; cada sobrevivente, uma pequena vitória.
À frente desse esforço está a Dra. Eleanor H. Whitcombe, médica formada no leste que assumiu a direção do Public Health Service no território. Com sede na Clínica Central de Saint Denis, Whitcombe tenta estruturar um sistema público de saúde praticamente do zero, lidando com escassez de recursos, descrédito da população e resistência política.
Sob sua coordenação, relatórios médicos começam a ser registrados, sintomas são catalogados e surtos passam a ser monitorados. Ainda assim, o alcance do serviço é limitado, e muitas regiões permanecem sem qualquer tipo de atendimento adequado.
A medicina ainda engatinha, mas, em meio ao caos do Oeste, representa uma das poucas formas reais de esperança — uma luta silenciosa entre o avanço da doença e a determinação humana de sobreviver.
Para os povos nativos, a guerra nunca terminou. Mesmo após o fim dos grandes conflitos, suas terras continuam sendo tomadas, suas rotas ancestrais invadidas e seus costumes ignorados em nome do progresso e da expansão do governo.
Tratados antigos são frequentemente quebrados ou reinterpretados. Promessas feitas em nome da paz raramente chegam às aldeias. O resultado é um clima constante de desconfiança e resistência.
Conflitos com colonos, caçadores e forças da lei são frequentes. Enquanto alguns grupos tentam sobreviver por meio de acordos frágeis e negociações difíceis, outros enxergam a resistência armada como a única forma de preservar sua identidade.
Cada encontro pode terminar em palavras… ou em sangue.
Os Sioux mantêm uma postura firme e desconfiada em relação ao governo. Marcados por anos de traições e deslocamentos forçados, veem qualquer avanço sobre suas terras como uma ameaça direta.
Alguns de seus líderes acreditam que negociar pode evitar a destruição total, enquanto guerreiros mais jovens defendem ações diretas contra invasores e patrulhas da lei. Entre tradição e sobrevivência, os Sioux caminham sobre uma linha perigosa.
Os Navajos buscam equilíbrio entre resistência e adaptação. Conhecidos por sua organização comunitária e profundo vínculo com a terra, tentam manter seus costumes vivos mesmo cercados por cidades em expansão.
Parte da tribo aceita acordos comerciais limitados, trocando produtos e serviços, enquanto outros rejeitam qualquer aproximação com o governo. A divisão interna é silenciosa, mas constante, e ameaça o futuro da própria tribo.
Os Comanches são vistos como os mais imprevisíveis pelos colonos. Mestres do território e da mobilidade, resistem de forma agressiva à presença de estranhos em suas rotas e áreas de caça.
Para eles, ceder significa desaparecer. Confrontos diretos com a law enforcement e caravanas são comuns, alimentando uma reputação de ferocidade que tanto protege quanto isola a tribo.
Apesar das diferenças entre as tribos, todas compartilham a mesma realidade: sobreviver em um mundo que avança sobre suas terras sem pedir permissão.
O Oeste de 1885 não oferece escolhas fáceis. A paz é temporária. A guerra, sempre uma possibilidade.
O tom é boca-a-boca do Oeste, como se fossem histórias contadas em saloons, delegacias e acampamentos.
Black Trail
Dizem que a Black Trail nasceu logo após a guerra, quando antigas rotas militares foram abandonadas. Liderados por Ezekiel "Gray" Morton, o bando passou a usar trilhas apagadas pelo tempo para mover mercadorias que nunca deveriam chegar às cidades.
O feito mais comentado foi a travessia noturna entre Valentine e Blackwater durante uma tempestade de areia, onde três carroças sumiram sem deixar rastro — nem para a lei, nem para os rivais. Desde então, muitos acreditam que seguir a trilha errada à noite pode significar nunca mais voltar.
Dust Runners
Os Dust Runners surgiram das estradas secas do sul, formados por antigos mensageiros e batedores. Sob o comando de Caleb Rowe, ficaram conhecidos por nunca parar — sempre em movimento, sempre um passo à frente.
Seu nome ganhou força quando conseguiram atravessar Armadillo em pleno cerco da lei, misturando-se a uma caravana comum e desaparecendo antes do amanhecer. Para muitos, perseguir um Dust Runner é como tentar pegar poeira com as mãos.
A Origem da Rivalidade
Ezekiel "Gray" Morton e Caleb Rowe não eram apenas parceiros — eram irmãos de sangue. Lutaram lado a lado na guerra, sobreviveram juntos às piores batalhas, e quando voltaram para casa sem nada, decidiram usar o que sabiam melhor: rotas, táticas militares e a arte de não ser encontrado.
Durante anos, operaram como um único bando. Gray conhecia as trilhas antigas e esquecidas. Caleb conhecia as pessoas, as caravanas, os padrões da lei. Juntos, eram imparáveis.
Tudo desmoronou durante o Grande Contrabando de Cumberland Falls. Era o trabalho mais arriscado que já haviam aceitado: mover armas e pólvora através de três territórios vigiados pela lei federal. A recompensa seria suficiente para aposentar ambos.
Gray propôs seguir as trilhas antigas — lentas, escondidas, seguras. Levaria semanas, mas chegariam sem ser vistos. Caleb discordou. Queria velocidade: misturar-se às caravanas comerciais, atravessar em plena luz do dia, desaparecer antes que alguém percebesse. Dias, não semanas.
A discussão virou grito. Caleb acusou Gray de ser covarde, de se esconder como fantasma em vez de enfrentar o mundo de frente. Gray acusou Caleb de ser imprudente, de colocar ego acima da sobrevivência.
Na madrugada seguinte, Caleb partiu com metade dos homens e metade da carga. Gray seguiu com o resto. Ambos juraram chegar primeiro.
Caleb chegou em três dias. Gray levou duas semanas. Mas quando Gray finalmente entregou sua parte, descobriu que Caleb havia negociado com o comprador sozinho — ficando com o dobro do pagamento e deixando Gray com migalhas.
Gray confrontou Caleb naquela mesma noite, arma na mão. Caleb não recuou. Disse apenas: "Eu cheguei primeiro. Eu ganhei o direito."
Gray não atirou. Mas virou as costas e nunca mais olhou para trás. Naquela noite, dois bandos nasceram de um só sangue.
A Guerra Entre Eles
Para Gray Morton, Caleb é um traidor arrogante que sacrificou lealdade por velocidade. A Black Trail opera nas sombras, usando rotas que ninguém mais lembra. Eles não competem pela atenção — competem pelo controle silencioso. Gray sabota os Dust Runners deixando rastros falsos, espalhando informações erradas sobre rotas, e garantindo que caravanas "comuns" onde Caleb se esconde sejam revistadas pela lei no momento certo.
Para Caleb Rowe, Gray é um covarde que se recusa a evoluir. Os Dust Runners operam em movimento constante, à luz do dia, misturados ao mundo. Eles não se escondem — desaparecem em plena vista. Caleb intercepta carregamentos da Black Trail antes que cheguem às trilhas antigas, suborna informantes para revelar rotas secretas, e garante que cada vez mais a lei patrulhe os caminhos esquecidos que Gray tanto preza.
Black Trail tem paciência, conhecimento ancestral e a vantagem da invisibilidade. Dust Runners tem velocidade, adaptação e a audácia de operar onde ninguém espera.
Gray acredita que Caleb vai se queimar em sua própria pressa. Caleb acredita que Gray vai sumir nas próprias sombras até ser esquecido.
Não há perdão entre irmãos de sangue que derramaram o sangue da confiança. Quando Black Trail e Dust Runners cruzam o mesmo território, não há saudação. Apenas olhares frios e o som de armas sendo engatilhadas.
Porque essa guerra não é apenas pelo controle das rotas. É pela prova de quem estava certo desde o início — e quem vai desaparecer para sempre na poeira do Oeste.
Los Sin Piedad
Os Los Sin Piedad surgiram na fronteira após o colapso de antigos esquemas criminosos do sul. Seu líder, Ramiro Barragán, conhecido como El Diente, é um pistoleiro oriundo da região de Sonora que reuniu órfãos da guerra, ex-coyotes, mercenários e contrabandistas abandonados por organizações maiores.
O bando rapidamente ganhou fama pela disciplina rígida e extrema brutalidade. Seus ataques são calculados, rápidos e deixam uma assinatura clara: marcas de faca nos corpos de seus inimigos, símbolo pessoal de Ramiro e aviso para quem ousar desafiá-los.
Para os Sin Piedad, piedade é fraqueza. Lealdade é tudo.
A Origem da Rivalidade
Antes de fundar os Sin Piedad, Ramiro era o braço direito do antigo líder dos Los Verdugos. Durante esse período, discordou abertamente das decisões do grupo, especialmente sobre rotas de contrabando, alianças com políticos corruptos e a venda de informações à lei.
Essas divergências terminaram em traição. Ramiro foi emboscado, dado como morto e abandonado à própria sorte.
Ele sobreviveu.
Daquela noite nasceu não apenas um novo bando, mas uma guerra pessoal. Ramiro jurou destruir os Verdugos e limpar seu nome — não por poder, mas por honra.
Los Verdugos
Os Los Verdugos nasceram como um braço armado de grandes operações de contrabando, atuando entre fronteiras e cidades-chave. O grupo se transformou completamente quando Manuel Herrera, conhecido como El Cuchillo, assassinou seu próprio chefe e assumiu o comando.
Sob Herrera, os Verdugos se tornaram mais organizados, mais frios e mais cruéis. Controlam rotas clandestinas, cobram dízimos de viajantes, extorquem fazendeiros e impõem sua autoridade com violência calculada.
Diferente dos Sin Piedad, os Verdugos preferem o controle pelo medo constante, não pelo espetáculo.
A Guerra Entre Eles
Para Herrera, Ramiro é um traidor ambicioso que tentou dividir o bando e enfraquecer sua estrutura. Para Ramiro, Herrera é um covarde, que usou política, suborno e alianças sujas para alcançar o poder.
A rivalidade entre os dois não é apenas criminosa — é pessoal.
Não há negociação. Não há acordo. Essa guerra só termina quando um dos lados deixar de existir.
Clear Creek
À primeira vista, Clear Creek parece apenas um grupo de fazendeiros isolados. Liderados por Walter Pierce, mantêm uma fachada limpa e educada nas cidades.
Mas nos pântanos e riachos afastados, seus alambiques trabalham noite adentro. O feito mais lembrado foi quando abasteceram três saloons por meses sem que nenhum barril fosse apreendido. Para muitos, beber Clear Creek é beber silêncio.
Stillmen
Os Stillmen não se consideram criminosos — apenas sobreviventes. Formados por ex-mineiros e caçadores, seguem a liderança de Harlan Boone, um homem que acredita que o álcool mantém o Oeste de pé.
Sua reputação cresceu quando continuaram produzindo mesmo após um grande incêndio destruir um de seus esconderijos. No dia seguinte, o moonshine ainda corria. Desde então, dizem que enquanto houver lenha e água, os Stillmen nunca param.
A Origem da Rivalidade
Antes da ruptura, Walter Pierce e Harlan Boone eram sócios. Pierce fornecia os contatos nas cidades e a rede de distribuição discreta; Boone garantia a produção constante nos esconderijos remotos. O moonshine deles era lendário — puro, forte e confiável.
Tudo mudou quando uma grande seca atingiu a região. Os riachos secaram. A água, essencial para a destilação, tornou-se mais valiosa que ouro.
Walter propôs racionar a produção e aumentar os preços, transformando a escassez em lucro. Harlan recusou. Para ele, o moonshine não era apenas negócio — era sobrevivência. Era o que mantinha mineiros, fazendeiros e famílias inteiras de pé quando tudo mais falhava. Aumentar preços seria trair aqueles que dependiam deles.
A discussão escalou. Walter acusou Harlan de ser ingênuo e sentimental. Harlan chamou Walter de abutre que só via dólares onde deveria ver pessoas.
Na última noite como sócios, Harlan descobriu que Walter havia desviado secretamente três barris da melhor safra para vender a um rico empresário de Saint Denis — pelo triplo do preço. Enquanto isso, famílias locais ficavam sem nada.
Harlan confrontou Walter com uma espingarda na mão. Não atirou. Mas quebrou cada alambique de Pierce que encontrou e levou metade dos homens consigo.
Daquele dia em diante, Clear Creek e Stillmen não eram mais parceiros. Eram inimigos.
A Guerra Entre Eles
Walter Pierce não ataca os Stillmen diretamente. Não precisa. Ele sabota em silêncio: informa autoridades sobre esconderijos, contamina fontes de água próximas aos alambiques de Boone, espalha rumores de que o moonshine Stillmen causa cegueira. Para Pierce, violência chama atenção. Informação é arma melhor.
Harlan Boone responde queimando pontes — literalmente. Suas emboscadas são rápidas e diretas: incendeia depósitos de Clear Creek, intercepta carregamentos nas estradas e distribui o moonshine roubado entre famílias pobres. Não é roubo. É justiça. Para Boone, Pierce precisa lembrar que o Oeste não pertence aos ricos.
Clear Creek tem dinheiro, conexões e a lei do seu lado. Stillmen tem fogo nos olhos, lealdade inabalável e nada a perder.
Para Walter Pierce, Harlan é um fanático perigoso que coloca idealismo acima da razão. Acredita que Boone vai destruir a si mesmo — e quer estar lá para pegar os cacos.
Para Harlan Boone, Walter é um traidor sem alma que esqueceu o que significa ser humano. Para ele, Pierce não é empresário. É parasita.
Não há reunião de paz. Não há acordo possível. Quando Clear Creek e Stillmen se encontram em uma cidade, as pessoas sabem: ou saem de perto, ou escolhem um lado.
Porque essa guerra não é só pelo moonshine. É pelo que o Oeste ainda pode ser — ou deixar de ser.
Crimson Corsairs
Os Crimson Corsairs navegam entre o legal e o ilegal como piratas em terra firme. Liderados pela Capitã Scarlett Vane, uma ex-contrabandista de rum que perdeu tudo em um naufrágio planejado, o bando opera com a mentalidade de saqueadores do mar: rápido, brutal e sem remorso.
Seu feito mais lendário foi o assalto a um comboio farmacêutico inteiro nas docas de Saint Denis, onde usaram explosivos, ganchos e até um pequeno canhão improvisado. Distribuíram parte do ópio roubado entre comunidades portuárias, criando uma rede de lealdade — e dependência. Seus membros usam bandanas vermelhas e marcam territórios com âncoras pintadas em sangue.
Para os Corsários, cada rota de ópio é um "mar" a ser dominado, cada rival é um "navio inimigo", e cada traidor caminha pela prancha.
A Origem da Rivalidade
Antes de fundar os Crimson Corsairs, Scarlett Vane era a capitã de operações do Night Veil. Durante esse período, ela comandava as rotas marítimas de ópio enquanto Mr. Ash controlava as operações terrestres. A parceria era lucrativa, silenciosa e eficiente.
Tudo mudou quando Scarlett descobriu que Mr. Ash havia vendido informações sobre uma de suas rotas para a lei — sacrificando sua tripulação inteira para proteger um carregamento maior em outro porto. Doze homens leais a ela foram presos ou mortos. Ela sobreviveu por sorte.
Quando confrontou Mr. Ash, ele não negou. Disse apenas: "Negócios. Nada pessoal."
Para Scarlett, foi tudo menos impessoal. Naquela noite, ela queimou três armazéns do Night Veil, roubou metade de seu estoque e jurou transformar cada operação de Mr. Ash em cinzas.
Daquela traição nasceu não apenas um novo bando, mas uma guerra de sombras e sangue.
Night Veil
Pouco se sabe sobre o Night Veil. Seu líder é chamado apenas de Mr. Ash, e poucos afirmam já ter visto seu rosto.
Seu nome ganhou força quando um carregamento inteiro desapareceu de Saint Denis sem testemunhas, sem violência e sem explicações. Para muitos, o Véu da Noite não rouba — apenas apaga.
Sob o comando de Mr. Ash, o Night Veil opera nas sombras absolutas. Não fazem espetáculos. Não deixam mensagens. Seus golpes são fantasmas: quando você percebe que foi atingido, já é tarde demais. Controlam informação, compram silêncios e eliminam testemunhas com precisão cirúrgica.
Diferente dos Corsairs, o Véu não busca glória ou lealdade popular. Busca controle invisível.
A Guerra Entre Eles
Para Mr. Ash, Scarlett é uma teatreira impulsiva que coloca ego acima de estratégia — uma pirata que ainda acredita em códigos de honra ultrapassados. Para Scarlett, Mr. Ash é um fantasma covarde que se esconde atrás de máscaras e traições, incapaz de olhar suas vítimas nos olhos.
A rivalidade entre os dois não é apenas pelo controle do ópio — é filosófica.
Os Crimson Corsairs atacam alto e deixam rastros de fogo. O Night Veil apaga esses rastros e devolve o golpe em silêncio absoluto. Scarlett caça Mr. Ash abertamente, oferecendo recompensas por sua localização. Mr. Ash simplesmente faz desaparecer qualquer Corsário que se aproxime demais da verdade.
Não há negociação. Não há trégua. Essa guerra só termina quando um dos lados deixar de existir — ou quando ninguém mais souber quem venceu.
Este não é um tempo de heróis claros ou vilões absolutos. Cada pessoa vive entre lei e sobrevivência, ordem e caos, progresso e tradição.
O Oeste está se reconstruindo — mas ainda não decidiu que tipo de futuro terá.
(SALTO TEMPORAL)
[A história continua...]